Idas
Deixo, sem medo de errar
Caminho, deixando devagar
Você, meu motivo para amar
Sei que devo ir
Te beijar e partir
Virar a esquina e sumir
Ir pela noite e dormir
Tenho pensado no tempo
Afogado em lembranças
Chorando ao vento
Sacrificando esperanças
E não mas tento fugir
É minha vida por ti
Novamente vais me parir?
Não, isso tudo há de ruir.
:’————————————————————————————————-()_
Escrevo sobre a morte, sobre o escuro. Deito e choro, quase sempre, em verso. Corro pela noite desesperado. Sumo e confesso. Sinto-me revigorado ao declamar sobre tudo que tenha derramado. Há que ruir, pensamentos sobre mim, há que ruir, desejos simples de partir.
Convidarei-te para dançar
Porque sei, não esqueces mais do mar
Claro, que como um piano,
Declamas teu pesar,
E como lírios a muchar
Deixa a terra se aproximar
Crio a fantasia de enlouquecer
Solicito ao pensamento
Dias triste de esquecimento
Sem esquecer da dor, meu padecer
E a dança, palavra perdida?
Convenhamos, estou a enlouquecer
Chego pertinho da partida
E vou rumo ao adormecer
Felicidade? Foi embora!
A saudade do meu peito?
Paralisa e me devora
E agora? Sorrio e deito
Convenhamos, estou com sono
Venha. Deitamos e choremos
Arrumamo-nos num sonho
Caídos e horendos
Convenhamos,
Estou aqui
Não como antes,
Quem me dera,
Mas como um depois,
Que eu já vi.
Vejamo-nos:
Caímos em outro mundo
Ele é tão imundo!
E agora estamos nus
Convenhamos,
Aqui tudo desabou
Parece até que me deras
Lembrança que nunca passou.
Continuo lutando, agora não mais só, para que vossos pensamentos ajudem a alimentar meus pensamentos e a produzir algo intensamente provocador e transformador, deixando no passado da minha história, sem tanta culpa, um covarde sonhador.
O que pode ser maior, mais forte, e incrivelmente insuperável, ao que quer que seja?
O mundo, absurdamente grande, vazio, violento e improvável?
Há resposta?
Há vida?
Acreditas?
És fiel a teus princípios e crenças?
Reconhece na dor do outro, a tua própria?
Deixa-te ser carregado pelos sonhos ou pesadelos?
Não importa.
Há luz.
Que nos seduz…
Rumo.
Tem-se rumo sim.
O mundo.
Sobretudo, o mundo.
Vai-te.
Conquista-te.
E não há força maior…
Não, não há.
Teu Deus é espelho
e hei de ver-te nele
E tens a força
E é a mesma que tens pelo outro
E que te move.
É chegada a hora
Agora
Vá.
Dê um golpe
Lute e volte
É chegada a hora
De ir e sentir
Amor por ti
Ame-se
E ame
Descubrir-te em calçada escura…
Descobrir; Algo que ainda dura.
Cobrir-te com meus pesadelos.
Sorrir, vendo teus cabelos.
São tão vermelhos:
Escureço. a luz
Definho. até ir
Reluto. ao sair
Sofro. pra amar
Caio. ao te ver
Vou. arrastando
Só. resta a dor
.
Estamos belos, saciados, ricos, fortes, mas somos imbecis, hipócritas e medíocres. Lutamos em causa fútil. Fuma-se o ódio pela injustiça, ódio que vira fumaça. E daí, filhos de uma puta madre chamada eresia. Falem, cantem o que escutam, seus merdas!
Estou cansado da mismece retórica do correto, incorreto ou desconhecido. Há uma outra via, a do sangue. Matemo-nos.
Extirparemos o mal da consciência coletiva, que é o medo de morrer em vão. E, para isso, não se viverá mais num vão entre o medo e a coragem, da luz e da escuridão, da paixão e da miséria, da compaixão penosa. Chega! Chega!
Nada direi ao cantar, apenas resumirei meu choro ao amanhecer, para que todos venham rezar pela nossa alma. Rezem uma canção que diga o que não queres dizer, a canção que não diz nada, a canção que me faz dormir.
Não é que eu deseje obstruir minhas óbvias conclusões, mas
de tão óbvias, me são irritantes.
Não posso, nem quero, é sem sentido, não devo me perder por tais caminhos.
Quero resgatar alimentos que nutrem minhas pulsões. Trocar-me por dúvidas?
Incertezas? Lixos? Subversivos pensamentos que não me deixam subverter o óbvio.
Sinto, sou, escuto, provoco, falo a dor. Falta-me ainda matá-la. Matarei-me?
É me incrível o descompasso… entre os movimentos dos meus sonhos e como eu passo…
Passo meus dias, meus ideais, idéias, odisséias, quimeras e uma deveras treva a vós, a nós.
Compartilho o gatilho do maltrapilho filho e digo:
Repito o mesmo que deras, numa era que me desespera
Espera-me…
Olha e cativa-me. Pega-me e, a mim, ame
Ao tentar mudar odores e meus ardores
Drogo-me e pergunto-te:
Faço meu sepulto ou cultuo sempre o mesmo luto?
Ao tentar restabelecer uma tal ordem de humor
Pareço inútil e parece não ser útil mudar, matar, parar, falar e mesmo jurar
Tomo doses pra melhorar ou mudar? Inútil?
Como devo tentar pular se já estou em queda livre.
Vive. Não te tive. Isso é de tu pai? Sobre ti? De novo?
Que cíclico, o mesmo, esmo pensamento… que recaí sobre ti.
Não posso mais, desculpa pelo pai.
Não posso, é inútil. É pouco.
Do que se trata tudo isso?
O que quero se não peço?
Pra onde vou se não sou?
Estou a mercê do tempo. Como é triste. Como sou triste. Dor que insiste e não desiste.
Acorda-me pra viver, me derruba pra sofrer.
Sorri pra mim e diz que me ama
Quebra meu esquerdo braço… Ensina-me a esperar
Dá-me o mais articulado saber… me diz que é pra morrer
Há força, Deus, há!
Têm-se lágrimas, há, eu sei!
Mas que sentido há?
Dê-me esquecimento, dá-me…
É, basta apenas chorar
Sim, quero cenas de pesar
Não, repito que saia
Veja, antes que caia
Sou terça parte do nada
Apenas glória desnuda
Estilete de minhas memórias
Que não conta nem próprias histórias
Destemido orgulho do fracasso
Recrimina o próprio passo
Grita em vão, como que morrera
Resta só um passo, frente a beira
Chorai-vos
Entristeça
Carne na face
Suicidamo-nos
Deixo correr lágrimas
Enxugo sonhos derramados
Destruo pátrias
Surto em gritos queimados
Término e morte
Ao norte
Suspiros e vontades
Não mais podes
São mesmo tristezas
Nem tanto feroz
Mas então, veloz
Destruição e incertezas
São tão poucas letras
Simples oi que diz adeus
E nasço com tudo que é teu
E choro, lágrimas pretas
(Inspirado na música de mesmo título cantada por Pitty. Composição: Lirinha)