Wednesday, December 10, 2008

Idas

Vou, querendo chegar
Deixo, sem medo de errar
Caminho, deixando devagar
Você, meu motivo para amar

… poesia depressiva

Posted by João Carlos in 10:37:05 | Permalink | Comments Off

Thursday, November 27, 2008

Há que ruir

Estou temendo tremores
Deixando meus amores
Caindo em sono profundo
Quero abandonar o mundo

Sei que devo ir
Te beijar e partir
Virar a esquina e sumir
Ir pela noite e dormir

Tenho pensado no tempo
Afogado em lembranças
Chorando ao vento
Sacrificando esperanças

E não mas tento fugir
É minha vida por ti
Novamente vais me parir?
Não, isso tudo há de ruir.

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Escrevo sobre a morte, sobre o escuro. Deito e choro, quase sempre, em verso. Corro pela noite desesperado. Sumo e confesso. Sinto-me revigorado ao declamar sobre tudo que tenha derramado. Há que ruir, pensamentos sobre mim, há que ruir, desejos simples de partir.

Posted by João Carlos in 22:08:44 | Permalink | Comments Off

Sunday, November 16, 2008

Convenhamos

Dar-te-ei ouvidos,
até porque, já os tem.

Convidarei-te para dançar
Porque sei, não esqueces mais do mar

Claro, que como um piano,
Declamas teu pesar,
E como lírios a muchar
Deixa a terra se aproximar

Crio a fantasia de enlouquecer
Solicito ao pensamento
Dias triste de esquecimento
Sem esquecer da dor, meu padecer

E a dança, palavra perdida?
Convenhamos, estou a enlouquecer
Chego pertinho da partida
E vou rumo ao adormecer

Felicidade? Foi embora!
A saudade do meu peito?
Paralisa e me devora
E agora? Sorrio e deito

Convenhamos, estou com sono
Venha. Deitamos e choremos
Arrumamo-nos num sonho
Caídos e horendos

Convenhamos,
Estou aqui
Não como antes,
Quem me dera,
Mas como um depois,
Que eu já vi.

Vejamo-nos:
Caímos em outro mundo
Ele é tão imundo!
E agora estamos nus

Convenhamos,
Aqui tudo desabou
Parece até que me deras
Lembrança que nunca passou.

Posted by João Carlos in 18:53:50 | Permalink | Comments Off

Monday, November 10, 2008

Ajuda para desacovardar

Sinto-me intensamente digno ao orientar boa parte dos meus pensamentos a uma causa que julgo tão nobre, mas vejo-me um covarde ao querer tanto produzir algo transformador, em sua definição e natureza, e não conseguir nem sequer me transformar,

Continuo lutando, agora não mais só, para que vossos pensamentos ajudem a alimentar meus pensamentos e a produzir algo intensamente provocador e transformador, deixando no passado da minha história, sem tanta culpa, um covarde sonhador.

Posted by João Carlos in 00:16:46 | Permalink | Comments Off

Thursday, November 6, 2008

Há?

O que pode ser maior, mais forte, e incrivelmente insuperável, ao que quer que seja?
O mundo, absurdamente grande, vazio, violento e improvável?

 

Há resposta?
Há vida?
Acreditas?
És fiel a teus princípios e crenças?
Reconhece na dor do outro, a tua própria?

 

Deixa-te ser carregado pelos sonhos ou pesadelos?

 

Não importa.

 

Há luz.
Que nos seduz…

 

Rumo.
Tem-se rumo sim.
O mundo.
Sobretudo, o mundo.

 

Vai-te.
Conquista-te.

 

E não há força maior…
Não, não há.

 

Teu Deus é espelho
e hei de ver-te nele

 

E tens a força 
E é a mesma que tens pelo outro
E que te move.

 

É chegada a hora
Agora

 

Vá.

 

Dê um golpe
Lute e volte

 

É chegada a hora
De ir e sentir
Amor por ti

 

Ame-se
E ame

Posted by João Carlos in 11:25:43 | Permalink | Comments Off

Monday, October 27, 2008

De.sa.fi.nhar.ar

Descubrir-te em calçada escura…

Descobrir; Algo que ainda dura.

Cobrir-te com meus pesadelos.

Sorrir, vendo teus cabelos.

São tão vermelhos:

 

Escureço. a luz

Definho. até ir

Reluto. ao sair

Sofro. pra amar

Caio. ao te ver

Vou. arrastando

Só. resta a dor

.

Posted by João Carlos in 21:45:20 | Permalink | Comments Off

Sunday, September 14, 2008

Então que venha a canção

Uma canção que não diz nada. Espero-a de peitos falidos e os abraços caídos pelo chão.
- Amigos, venham ver o cair do céu!, eu disse.
São nossas penas. Pena da miséria, da dor. Elas são nossas, vamos buscá-las e, para isso, precisaremos levar nossas consciências vazias. Iremos enchê-las de merda.

Estamos belos, saciados, ricos, fortes, mas somos imbecis, hipócritas e medíocres. Lutamos em causa fútil. Fuma-se o ódio pela injustiça, ódio que vira fumaça. E daí, filhos de uma puta madre chamada eresia. Falem, cantem o que escutam, seus merdas!

Estou cansado da mismece retórica do correto, incorreto ou desconhecido. Há uma outra via, a do sangue. Matemo-nos.
Extirparemos o mal da consciência coletiva, que é o medo de morrer em vão. E, para isso, não se viverá mais num vão entre o medo e a coragem, da luz e da escuridão, da paixão e da miséria, da compaixão penosa. Chega! Chega!

Nada direi ao cantar, apenas resumirei meu choro ao amanhecer, para que todos venham rezar pela nossa alma. Rezem uma canção que diga o que não queres dizer, a canção que não diz nada, a canção que me faz dormir.

Posted by João Carlos in 03:38:27 | Permalink | Comments Off

Thursday, August 7, 2008

Sobredor

Não é que eu deseje obstruir minhas óbvias conclusões, mas

de tão óbvias, me são irritantes.

Não posso, nem quero, é sem sentido, não devo me perder por tais caminhos.

Quero resgatar alimentos que nutrem minhas pulsões. Trocar-me por dúvidas?

Incertezas? Lixos? Subversivos pensamentos que não me deixam subverter o óbvio.

Sinto, sou, escuto, provoco, falo a dor. Falta-me ainda matá-la. Matarei-me?

É me incrível o descompasso… entre os movimentos dos meus sonhos e como eu passo…

Passo meus dias, meus ideais, idéias, odisséias, quimeras e uma deveras treva a vós, a nós.

 

Compartilho o gatilho do maltrapilho filho e digo:

Repito o mesmo que deras, numa era que me desespera

Espera-me…

Olha e cativa-me. Pega-me e, a mim, ame

 

Ao tentar mudar odores e meus ardores

Drogo-me e pergunto-te:

Faço meu sepulto ou cultuo sempre o mesmo luto?

 

Ao tentar restabelecer uma tal ordem de humor

Pareço inútil e parece não ser útil mudar, matar, parar, falar e mesmo jurar

Tomo doses pra melhorar ou mudar? Inútil?

Como devo tentar pular se já estou em queda livre.

Vive. Não te tive. Isso é de tu pai? Sobre ti? De novo?

Que cíclico, o mesmo, esmo pensamento… que recaí sobre ti.

 

Não posso mais, desculpa pelo pai.

Não posso, é inútil. É pouco.

 

Do que se trata tudo isso?

O que quero se não peço?

Pra onde vou se não sou?

 

Estou a mercê do tempo. Como é triste. Como sou triste. Dor que insiste e não desiste.

Acorda-me pra viver, me derruba pra sofrer.

Sorri pra mim e diz que me ama

Quebra meu esquerdo braço… Ensina-me a esperar

Dá-me o mais articulado saber… me diz que é pra morrer

 

Há força, Deus, há!

Têm-se lágrimas, há, eu sei!

Mas que sentido há?

Dê-me esquecimento, dá-me…

Posted by João Carlos in 13:19:13 | Permalink | Comments Off

Monday, July 21, 2008

Estilete de minhas memórias

Estou, mas não sou
É como me dera o olhar
Escravo desta dor
De outrora desconfiada

É, basta apenas chorar
Sim, quero cenas de pesar
Não, repito que saia
Veja, antes que caia

Sou terça parte do nada
Apenas glória desnuda
Estilete de minhas memórias
Que não conta nem próprias histórias

Destemido orgulho do fracasso
Recrimina o próprio passo
Grita em vão, como que morrera
Resta só um passo, frente a beira

Posted by João Carlos in 01:01:21 | Permalink | Comments Off

Thursday, June 12, 2008

Lágrimas Pretas

Expulsa e estuprada
Experiente e espancada
Dúvida dúbia
Minha injúria

Chorai-vos
Entristeça
Carne na face
Suicidamo-nos

Deixo correr lágrimas
Enxugo sonhos derramados
Destruo pátrias
Surto em gritos queimados

Término e morte
Ao norte
Suspiros e vontades
Não mais podes

São mesmo tristezas
Nem tanto feroz
Mas então, veloz
Destruição e incertezas

São tão poucas letras
Simples oi que diz adeus
E nasço com tudo que é teu
E choro, lágrimas pretas

(Inspirado na música de mesmo título cantada por Pitty. Composição: Lirinha)

Posted by João Carlos in 13:22:56 | Permalink | Comments Off